Antes do Pré-sal

Abrir o diálogo com a sociedade, expor as possibilidades de ganho financeiro e as garantidas perdas ambientais e, possivelmente, sociais, advindas da exploração do petróleo e gás, é urgente. Importantes indicadores de desenvolvimento demonstram que a geração de vultosos recursos financeiros não tem trazido riqueza para as populações dos municípios que recebem royalties.

A descoberta de enormes quantidades de petróleo, na camada de pré-sal da Bacia de Santos, traz significativas mudanças na vocação econômica dos municípios da baixada santista. Hoje, estão mal e mal preparados para receber turistas, pois apresentam constantes colapsos no fornecimento de água, energia e suprimentos para as suas populações flutuantes, quando dos feriados de fim de ano e Carnaval, por exemplo. Sem falar das endemias e pandemias que, a cada verão, tomam conta dessa região, reflexo da precariedade de infra-estrutura, como esgoto e saúde, e políticas de prevenção aos vetores transmissores das doenças tropicais.

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Norma define responsabilidade social

ISO 26000 chega ao mercado após oito anos de debate que teve a participação de 450 especialistas de 90 países. Nova norma é um guia de orientações para empresas e não existirá um selo de certificação, como em outras ISO.

ANDRÉ PALHANO

Oito anos de debate, 450 especialistas de 90 países e mais de 40 organizações internacionais.

Esses são alguns dos números da ISO 26000, a norma da ISO (International Organization for Standardization) que chega ao mercado com a promessa de se tornar a principal referência de responsabilidade social nas empresas e organizações.

O envolvimento de diversos setores da sociedade, com interesses nem sempre convergentes -além da própria heterogeneidade entre os países-, explica tamanha demora na aprovação da norma, afirmam os responsáveis por sua implementação.

Ao mesmo tempo, é essa construção coletiva que provoca expectativas tão ambiciosas para a ISO 26000, que competirá em um mercado que abriga dezenas de selos e padronizações relacionadas.
“Talvez a coisa mais importante da ISO 26000 é que ela significa a expectativa da sociedade sobre o comportamento das organizações na questão da responsabilidade social”, diz Ana Paula Grether, da Petrobras, representante da indústria na delegação brasileira da ISO 26000.

O que a nova ISO traz é uma grande compilação e alinhamento de ferramentas e iniciativas já existentes, ancoradas em organizações mundialmente respeitadas como a ONU (Organização das Nações Unidas), a OIT (Organização Internacional do Trabalho) e a própria ISO.

Esse emaranhado de acordos, tratados e padronizações, gerou uma nova definição para responsabilidade social das organizações, que muitas vezes ainda gera confusão.
“A norma acaba com a confusão conceitual que sempre existiu em torno do termo responsabilidade social, deixando claro que ela é um meio, um caminho para alcançar o desenvolvimento sustentável”, diz Jorge Emanuel Cajazeira, presidente do Comitê Mundial da ISO 26000 e diretor da Suzano.

Diferentemente de suas “irmãs” mais conhecidas, a nova ISO não é certificável, ou seja, não existirá um selo ISO 26000 que ateste práticas de gestão alinhadas com o que alguns já chamam de “o estado da arte” da responsabilidade social.

DIRETRIZES

“A norma é um guia de diretrizes e orientações para que as organizações, sobretudo as empresas, adotem a responsabilidade social como parte integrante de suas estratégias de negócios”, disse o vice-secretário-geral da ISO, Kevin McKinley, no lançamento no Brasil.

Isso não reduz o apetite das empresas em adotar a norma? Para os especialistas envolvidos, o efeito esperado é o contrário: ao declarar a ISO 26000 como foco da gestão, as organizações estarão se submetendo ao escrutínio da sociedade, que, por sua vez, terá a norma como uma ferramenta de cobrança.

DEFINIÇÃO SEGUNDO A NORMA ISO 26000

É a responsabilidade de uma organização pelos impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no ambiente, por meio de um comportamento ético e transparente que:

– Contribua para o desenvolvimento sustentável, inclusive a saúde e o bem-estar da sociedade
– Leve em consideração as expectativas das partes interessadas
– Esteja em conformidade com a legislação aplicável e seja consistente com as normas internacionais de comportamento
– Esteja integrada em toda a organização e seja praticada em suas relações

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Incluir para crescer

A historiografia das Ciências Sociais e Econômicas está repleta de estudos sobre as origens e as causas do abismo existente entre a parcela mais rica da população brasileira e a grande massa de pobres, à margem da vida da nação há dois séculos.

Tentativas de promover o desenvolvimento em áreas de reconhecido atraso social e econômico têm, sistematicamente, carreado enorme volume de recursos do Estado em programas, como SUDAM, SUDENE, SUFRAMA, INCRA, frentes de trabalho e várias outras ações, de pouca ou nenhuma eficácia, pois o benefício, quando chega na ponta, não alcança quem deveria ser o destinatário, dada a formação de uma cadeia de intermediários, que reforça o clientelismo e o patriarcalismo na vida política brasileira.

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Ao Brasil, as batatas

Partidarizar a posição brasileira em Copenhague é irresponsabilidade e leviandade. A oposição usa a reunião da Conferência do Clima para fazer campanha eleitoral, alinhando-se aos países desenvolvidos, que querem e forçam o governo brasileiro para apresentar meta definida de redução de CO2.

O Governo, por sua vez, até então adulado e incensado pela comunidade internacional, não se definia. Porém, ao não querer perder esse prestígio, e logo para a oposição, já começa a pensar em definir uma meta, já que o maior Estado da Federação, governado pelo futuro candidato à sucessão, define meta de emissão de carbono para São Paulo. Sem estudo de viabilidade, é verdade, mas com muita bravata.

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