Para Minhas Amigas Candidatas

 

Os homens, notadamente aqueles tradicionais ciosos de sua trajetória e história, normalmente temem arriscar novos caminhos, pois julgam eles, pôr em risco a imagem construída para si mesmo e que acabam acreditando que é real. Nós mulheres, arriscamos mais, não porque não levemos a sério nossas trajetórias e histórias, mas porque estamos sempre prontas a recontá-las.

Há poucas semanas assistimos um político que se leva muito a sério, hoje carta fora do baralho, mas que está louco para voltar a fazer parte do jogo, porém sem coragem para o embate político, alçou um balão de ensaio para testar o alinhamento, disciplina e vaidade política da Presidenta da República. Vai que ela tope uma aventura, mudando de campo político, aí o individualismo, a preguiça e inépcia seriam regiamente recompensados, preservando o estilo fisiológico, oportunista e personalista de fazer política desde a velha República.

A Presidenta vem conquistando a classe média por sua postura firme, franca e competente, o que leva a oposição, no auge dos seus delírios de prepotência, entender que Dilma representa o seu estilo de governar e não o estilo do partido do qual ela é filiada.

A falta de posições ideológicas, o oportunismo e o personalismo conduzem ao vale-tudo na política e na vida, onde traições, embustes e dissimulações são moedas corrente que têm levado o país ao rebaixamento moral e a um cinismo consensual.

Bom que Dilma mostra que é possível não só um novo jeito de governar, mas que há também um jeito novo de fazer política.

Eu não sei, mas desconfio que Lula, ao indicar Dilma para sua sucessão, mais que sua competência e disciplina, entendeu seu caráter, que nos parece não transige com o essencial, a lealdade. Lealdade que só uma mulher forte é capaz de manter, renegando e se indignando com os ‘cantos de sereia’. Esta integridade deve ser o farol e o grande exemplo para as mulheres que estão pleiteando cargos eletivos, que façam política da mesma forma que constroem suas vidas pessoais, com honestidade, coragem e lealdade, onde o cuidar do outro e do coletivo está sempre à frente do eu.

Nós, mulheres, já temos tantos encargos e penso que só vale a pena assumir mais um, se for para fazer a diferença.

Boa sorte a vocês todas em suas campanhas. Torço para que consigamos aumentar nossa participação política nas Câmaras e nas Prefeituras, mas que esse aumento não se reflita somente na quantidade da representação, mas principalmente na qualidade do que farão para os representados.

 

“Riqueza é dispor de tempo e liberdade”, Eliane Belfort

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